O Centro Internacional de Convenções do Brasil foi pequeno para conter a movimentação que aconteceu entre os dias 5 e 7 de maio de 2026. O II Congresso Conseplan encerrou suas atividades com números que falam por si: 1.506 participantes presenciais, crescimento de 400 pessoas em relação à edição inaugural, mais de 60 especialistas e lideranças, mais de 40 atividades simultâneas em 11 salas, mais de 100 horas de conteúdo e representantes de todos os 27 estados brasileiros reunidos sob um mesmo teto. Em apenas dois anos, o Congresso CONSEPLAN deixou de ser uma aposta para se tornar uma referência. O maior e mais importante espaço de debate sobre planejamento público do Brasil.
O tema escolhido para 2026, "Planejamento e Governança Federativa para o Desenvolvimento Nacional", não poderia ser mais preciso para o momento que o país vive. Em um ano eleitoral, quando o risco de descontinuidade das políticas públicas é maior, gestores de todos os estados, municípios, governo federal, organismos internacionais, academia e setor privado escolheram estar juntos para afirmar algo essencial: planejar é um ato de Estado, não de governo. Esse espírito atravessou cada conferência, cada painel, cada palestra e cada case apresentado nos três dias de evento.
A programação do II Congresso Conseplan foi desenhada para ir fundo. As três conferências do auditório trouxeram perspectivas que raramente se encontram em um único evento: Leany Lemos e Cécile Fruman, do Banco Mundial, debateram os impactos das transformações globais sobre o planejamento governamental. Javier Medina Vasquez, secretário executivo adjunto da CEPAL, apresentou um diagnóstico rigoroso sobre as desigualdades territoriais da América Latina e a urgência de uma governança antecipatória. Wesley Vaz, do Tribunal de Contas da União, abriu o congresso conectando planejamento, governança e accountability como dimensões indissociáveis.
Os quatro painéis temáticos aprofundaram debates que movem a agenda pública nacional: a reinstitucionalização do planejamento de longo prazo, o lançamento do Ranking de Competitividade dos Estados pelo CLP, a integração das agendas transversais ao orçamento público e os impactos da reforma tributária no financiamento das políticas públicas. As oito palestras cobriram os 90 anos do IBGE, a infraestrutura logística brasileira, o novo Plano Nacional de Educação, a inteligência artificial no setor público, a modernização da gestão fiscal e o desafio climático. E o debate sobre carreiras e estruturas organizacionais revelou, com dados concretos, que o maior ativo de qualquer secretaria de planejamento são as pessoas que a sustentam.
Mais de 38 cases estaduais e 11 cases municipais mostraram que o Brasil não precisa olhar só para fora para encontrar modelos de gestão pública que funcionam. Do Acre ao Tocantins, passando por Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Sergipe, secretários e coordenadores técnicos apresentaram iniciativas reais de planejamento, monitoramento, transparência e inovação que já estão transformando a vida das pessoas. Municípios como Recife, Belo Horizonte, Itajaí e Pompeia trouxeram experiências que qualquer gestão municipal do país poderia replicar. O congresso foi, também, um grande catálogo de soluções à disposição do setor público brasileiro.
A produção técnico-científica do congresso alcançou um patamar inédito. Foram 383 resumos submetidos por pesquisadores, técnicos e gestores de todo o Brasil, avaliados por um Conselho Técnico-Científico rigoroso. Desses, 266 foram aprovados e 249 efetivamente apresentados em oito salas dedicadas à mostra científica, com taxa de presença de 91%. O Nordeste liderou o volume de produção pela primeira vez na história do congresso, com 38,5% dos artigos, sinalizando que a comunidade de pesquisa sobre planejamento público deixou de ser concentrada no eixo Sul-Sudeste. Alagoas, com 30 trabalhos, foi o estado com maior volume de contribuição científica do evento.
Os números de engajamento institucional também contam uma história importante. De 6 para 10 patrocinadores. De 3 para 11 apoiadores institucionais. Uma taxa de crescimento que vai muito além do setor público e que sinaliza o reconhecimento crescente de que o Congresso CONSEPLAN é um espaço estratégico para quem quer entender para onde o Brasil está indo e como chegar lá. O congresso atraiu organismos multilaterais, empresas, universidades, institutos de pesquisa e órgãos de controle, todos reunidos em torno de uma mesma convicção: o Brasil planeja melhor quando planeja junto.
O conteúdo do II Congresso Conseplan será publicado na edição especial da Revista Planejamento e Futuro, prevista para junho de 2026, com os textos das atividades e os 242 artigos técnico-científicos aprovados. Enquanto isso, fotos e certificados de participação já estão disponíveis em congressoconseplan2026.com.br/certificados_fotos. O III Congresso Conseplan acontece em 2027. Até lá.
Realizado em 2025, O 1º Congresso CONSEPLAN (acesse aqui), recolocou o planejamento público no centro da agenda nacional, com ênfase na retomada e valorização institucional da função e no alongamento do horizonte de planejamento para além dos ciclos de governo, como demonstrou a construção da Estratégia Brasil 2050. A 2ª edição do Congresso CONSEPLAN, realizada em 2026, aprofundou esse percurso e jogou luz sobre a governança federativa: como a União, os estados e os municípios podem coordenar diretrizes, articular instrumentos de planejamento e fortalecer suas capacidades estatais em prol do desenvolvimento nacional?
O tema do evento, Planejamento e Governança Federativa para o Desenvolvimento Nacional, desdobrou-se em 4 (quatro) grandes eixos temáticos que orientaram a programação científica:
Adoção e institucionalização de planos de longo prazo; continuidade de boas práticas de planejamento e orçamento à despeito de transições; integração de instrumentos de planejamento e orçamento; participação social no ciclo planejamento–orçamento; desafios para aprimorar o planejamento governamental de médio prazo no Brasil.
Implementação da reforma tributária e seus impactos no sistema planejamento–orçamento; alternativas de financiamento público; avaliação de despesas, revisão de gastos e análise de desempenho orçamentário.
Institucionalidade da função de planejamento e orçamento nos três níveis; modernização e inovação administrativa em órgãos de planejamento–orçamento; organização da força de trabalho (cargos/carreiras) que sustenta a função de planejamento nos governos.
Agendas transversais de políticas públicas e o papel do planejamento e orçamento; monitoramento e avaliação de políticas e programas; dimensão ambiental e sustentabilidade nas estratégias de desenvolvimento; alternativas para redução da desigualdade regional.
Ancorado no tema e nos quatro eixos, o evento de 2026 promoveu um debate qualificado, baseado em evidências e experiências internacionais, nacionais e subnacionais, com conferências, painéis temáticos, palestras, cases e boas práticas, bem como a apresentação oral de artigos e pôsteres científicos. Buscou-se, particularmente nesta segunda edição, dar protagonismo ao planejamento governamental dos entes subnacionais, reconhecendo a centralidade dos estados e dos municípios na oferta de serviços públicos, na execução orçamentária e na implementação de políticas e programas de impacto territorial.
No âmbito do evento, os trabalhos científicos promoveram a disseminação de conhecimento científico, tecnológico e social por meio da apresentação oral de artigos e pôsteres científicos aderentes e relevantes às áreas temáticas do congresso. Os autores apresentaram contribuições teóricas, metodológicas e empíricas que enriqueceram o debate e ampliaram o repertório de soluções disponíveis para os gestores públicos brasileiros. O foco foi produzir conhecimento útil para a compreensão e o aperfeiçoamento institucional do planejamento governamental no Brasil, consolidando uma comunidade de prática comprometida com mais e melhores resultados para a sociedade.